Os pacientes que apresentam pirose noturna, estão relacionados ao denominado "escape ácido noturno", definido como a queda do pH intragástrico a < 4 no período da noite, durante pelo menos 1 hora, em pacientes já em tratamento (medicamentoso). A queda do pH ocorre entre seis e sete horas após a tomada da dose noturna da medicação, e pode persistir até três ou quatro horas. Estudos comprovam que a cada 1.000 indivíduos com sintomas de refluxo de pelo menos uma vez por semana, 80% apresentam pirose noturna, classificada como moderada ou intensa em 70% deles. Distúrbios do sono foi uma queixa freqüente e metade dos indivíduos relatou a presença de sensação de ardência na garganta, pigarro, rouquidão, tosse e asma. O uso de medicações indutoras do sono e tranqüilizantes não melhoram a qualidade do sono, sendo ineficaz na grande maioria dos pacientes.
O advento das medicações bloqueadoras de ácido melhorou de forma significativa no tratamento do refluxo gastroesofágico, contudo, cerca de 30% não respondem satisfatoriamente. A endoscopia digestiva alta permitirá a exclusão de úlcera péptica, tumores, e a identificação de esofagite. Investigações através da dosagem de phmetria prolongada, manometria esofágica ou testes da função gástrica são mandatários para melhor avaliação e manejo destes pacientes. É recomendada a mudança de alguns hábitos comportamentais e alimentares concomitante ao tratamento medicamentoso; evitando o fumo, deitar ou fazer esforço de estômago cheio, perder peso se estiver acima do seu peso ideal, evitar roupas apertadas, evitar alimentos prejudiciais à digestão e que facilitam o refluxo (frituras, gorduras, chocolates, bebidas alcoólicas, refrigerantes, chimarrão, condimentos fortes, excesso de cebola, alho e café); evitar encher demais o estômago, elevar a cabeceira da cama se apresentar azia durante a noite, comer várias vezes ao dia, mas sempre em pequenas quantidades.