Obesidade Mórbida: Tratamento cirúrgico nos casos graves A obesidade vem adquirindo proporções alarmantes, epidêmicas e, se constitui um dos principais problemas de saúde da sociedade moderna. É uma doença progressiva, vitalícia e dispendiosa, e corresponde ao acúmulo excessivo de tecido gorduroso no organismo. Pode ser classificada de acordo com o seu grau, calculada utilizando-se o índice de massa corpórea (IMC). Para obter o IMC, divide-se o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros, ou seja: peso(kg)/ altura² (m²) = IMC (kgm²).O peso ideal deve corresponder a um IMC inferior a 25. Sobrepeso é definido quando de IMC entre 25e 30. Obesidade quando supera 30. Estes passíveis de tratamento clínico à base de exercícios, dietas e porventura medicamentos que controlam o apetite e diminuem a absorção de gordura. Índices de massa corpórea superiores a 40 indicam um estado patológico extremamente grave (obesidade mórbida), associada a uma série de doenças (comorbidades), com graves riscos á saúde e a vida, ou seja, quanto maior o grau da obesidade, maior o risco de causar doenças e mortalidade precoce, daí a necessidade de tratamento. As doenças mais comumente associadas à obesidade incluem artroses e artrites, dificuldades respiratórias que podem chegar a apnéia do sono, dislipidemias, afecções cárdio e cerebrovasculares, diabetes mellitus, infertilidade e neoplasias dependentes de estrogênio, além de problemas emocionais e sociais.
Os critérios de indicação cirúrgica incluem: grau de obesidade elevado, resistência a tratamento clínico, presença de doenças associadas, risco cirúrgico aceitável e capacidade do paciente de compreender as implicações da operação. O IMC acima de 40 ou mesmo de 35, já associado a doenças importantes, é um parâmetro básico na possibilidade de recomendação de terapêutica cirúrgica.
Atualmente podemos classificar as cirurgias para tratamento da obesidade mórbida em três categorias: as que se baseiam na restrição mecânica à ingestão de alimentos; as que associam à restrição mecânica e também uma alteração funcional na recepção do alimento pelo tubo digestivo; as que se fundamentam principalmente em mecanismo malabsortivo. Em todas as modalidades as cirurgias podem ser realizadas pelas vias convencionais, abertas, ou por vídeolaparoscopia. Optamos em nosso meio pelo procedimento das derivações (by pass) gástricas, por serem ao mesmo tempo restritivas e disabsortivas. Utilizamos à técnica de Capella que visa reduzir o tamanho do estômago, transformando-o em um reservatório de aproximadamente 30 ml, com
esvaziamento direto para o intestino, através de um desvio no trânsito alimentar, causando uma má absorção de gorduras.
O tempo de internação, caso não haja nenhuma intercorrência é de três a cinco dias, nem sempre é necessário permanecer em unidade de terapia intensiva. As complicações existem como em qualquer cirurgia de grande porte, entretanto sua incidência é menor que 1,5%, enquanto o risco de morrer pela própria obesidade mórbida é 12 vezes superior à população não obesa.