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Esofagites / Refluxo / Azia

Estima-se que a azia ou pirose ocorra diariamente em cerca de 10% da população ocidental e, uma vez por mês, em 45%. A maioria não procura atendimento médico e utiliza medicação caseira ou antiácida. Pacientes com sintomas freqüentes ou persistentes e intensos ou ainda, com complicações constituem a clientela dos consultórios e hospitais. O sintoma cada vez mais presente na população mundial (assim como no Brasil) interfere sobremaneira na qualidade de vida do indivíduo.
Pirose é uma sensação de queimação de caráter ascendente, retroesternal, culminando, às vezes, com a chegada à boca de material com sabor ácido ou amargo definido como regurgitação. Resulta quase sempre, da entrada de conteúdo gástrico no esôfago, embora algumas alterações motoras independentes do refluxo possam provocá-la. Na literatura alguns diferenciam azia de pirose, onde a sensação de queimação localizada no epigástrio ("boca do estômago") é denominada de azia e identifica com maior probabilidade, a existência de doença péptica gástrica ou duodenal. O termo azia, no entanto, é empregado por inúmeros profissional como sinônimo de pirose, quer a sensação seja epigástrica, quer seja retroesternal ("atrás do osso central do peito"). O desencadeamento do sintoma é mais comum após refeições copiosas, ricas em gorduras, café, chocolate e álcool. Compromete consideravelmente a qualidade de vida, o desempenho no trabalho, atividades esportivas e a qualidade do sono. Quando de início súbito, é sinal de esofagite aguda (inflamação no esôfago), como a que resulta da ingestão de alguns medicamentos. 
A pirose recorrente, como sintoma isolado, sugere o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), termo que se refere á presença de lesões e/ou comprometimento da qualidade de vida resultantes do refluxo gastroesofágico. A classificação dos pacientes diagnosticados portadores de refluxo são divididos em grupos distintos: o dos que apresenta esofagite erosiva e aqueles que têm doença não-erosiva. Aproximadamente 70% dos indivíduos submetidos à endoscopia digestiva alta para avaliação de pirose/azia não possuem erosão esofágica. Ambos os grupos (com e sem esofagite erosiva), apresentam o mesmo padrão de comprometimento da qualidade de vida. Rotulou-se a doença do refluxo não erosiva para caracterizar os pacientes com sintomas de refluxo, mas sem evidência endoscópica de esofagite erosiva. Aqueles nos quais as queixas não se relacionam com refluxo patológico, à expressão pirose funcional é mais apropriada. O consenso ROMA II definiu pirose funcional como a presença contínua ou intermitente, de desconforto ou dor retroesternal em queimação por pelo menos 12 semanas, ao longo de um ano, na ausência de refluxo gastroesofágico patológico, ou outro distúrbio de motilidade claramente definido. Complicação importante a ser considerada é que 2% dos casos de doença do refluxo gastroesofágico sem tratamento pode evoluir para esôfago de Barret (lesão pré-maligna) e adenocarcinoma esofágico.

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