Diagnóstico
A duodenite é um diagnóstico clínico pouco freqüente. Com base nos sintomas é difícil obter uma suspeita significativa de se tratar desta doença, dado que os indivíduos acometidos podem ser assintomáticos ou possuir manifestações inespecíficas. Na ausência de complicações, na grande maioria dos casos o exame físico não tem qualquer utilidade para o diagnóstico. As análises sanguíneas são também inespecíficas, sendo que o hematócrito pode estar diminuído em doentes que sofreram sangramentos digestivos.
O diagnóstico é obtido através da realização de endoscopia digestiva alta, pedida frequentemente em casos de dispepsia e de hemorragia gastrintestinal. Este exame é muito importante e permite demonstrar alterações morfológicas compatíveis com duodenite, assim como estudar a possibilidade de ser outra a doença responsável pelos sintomas (por exemplo, úlcera péptica). Durante a endoscopia, o recurso à realização de biópsia duodenal, sendo o tecido retirado sujeito a análise anatomopatológica, permite demonstrar a presença de inflamação duodenal sem que reste qualquer dúvida.
A reação inflamatória na maioria dos casos desenvolve-se gradualmente, dependendo da causa principal e da existência ou não de fatores agravantes, como o consumo de bebidas alcoólicas em quantidade excessiva e/ou durante um período prolongado de tempo. A evolução é variável. Enquanto que em alguns pacientes a duodenite evolui para úlcera duodenal, com potencial desenvolvimento de complicações como perfuração, em outros a situação permanece estável ao longo da vida sem causar qualquer problema ou sintoma.
Tratamento
Consiste no alívio das manifestações clínicas (apenas nos indivíduos sintomáticos) e na adoção de medidas gerais (indivíduos sintomáticos e assintomáticos). O doente pode ser medicado com fármacos como os antiácidos, para tomar apenas quando estão presentes sintomas e não de forma crônica. As medidas gerais são variadas; não fumar e, em caso de consumo de bebidas alcoólicas, fazê-lo com a moderação adequada. Dado a possível participação do
stress emocional no desenvolvimento destas situações, a prática de exercícios físicos e de técnicas de relaxamento poderão também ter alguma utilidade. A realização de uma dieta específica não altera a evolução da doença. Não está demonstrado que ocorra benefício clínico com a erradicação de
Helicobacter pylori do organismo, pois apesar desta infecção estar associada ao desenvolvimento de duodenite, não existe uma relação clara entre a presença de infecção e os sintomas. Os pacientes em uso de medicamentos que podem causar gastrites e duodenites, devem suspender de imediato essa terapêutica.