Duodenites
O duodeno é um tubo de cerca de 2 a 3 centímetros de diâmetro que liga o estômago ao intestino delgado. É dividido em quatro partes, mas as duas partes iniciais (primeira e segunda porções do duodeno) guardam 95% das doenças. O estômago libera o alimento ao duodeno, o primeiro segmento do intestino delgado. O alimento entra no duodeno pelo esfíncter pilórico em quantidades que o intestino delgado consegue digerir. O duodeno recebe enzimas pancreáticas do pâncreas e bile do fígado. Esses líquidos, que entram no duodeno por um orifício denominado esfíncter de Oddi, contribuem de forma importante na digestão e na absorção.
A duodenite consiste numa inflamação do duodeno que pode ser aguda ou crônica. A localização mais freqüente é a primeira porção do duodeno, no nível do bulbo duodenal. O termo duodenite é frequentemente utilizado para designar determinadas alterações macroscópicas da mucosa duodenal observadas durante a endoscopia digestiva alta, como eritema, hemorragias subepiteliais e erosões. Contudo, para um diagnóstico preciso, os patologistas consideram necessário demonstrar histologicamente (através do estudo anatomo-patológico de tecido biopsiado das lesões suspeitas) a inflamação. Por vezes, biopsias realizadas em mucosa aparentemente sem lesões revelam também presença de inflamação ao exame histológico, pelo que se pode diagnosticar duodenite, apesar de não existirem características endoscópicas.
Sintomas
O quadro clínico de duodenite inclui sintomas inespecíficos como sensação de enfartamento pós-prandial (após as refeições), náuseas, anorexia (falta de apetite), soluços e desconforto abdominal. Este conjunto de manifestações clínicas pode ser designado por dispepsia. Contudo, um número significativo dos doentes não possui qualquer sintoma, e muitos nem sabem que possuem duodenite. O diagnóstico, em alguns casos é realizado com base em exames pedidos para esclarecimento de outras situações.
Podem apresentar ainda outras manifestações clínicas, como episódios de dor abdominal, geralmente ligeira e com períodos de remissão de duração variável. Alguns doentes possuem sintomas de maior gravidade, como hematêmeses, ou seja, vômitos contendo sangue (hemorragia digestiva alta). Além disso, em caso da duodenite evoluir para uma situação de úlcera duodenal, podem surgir outros problemas , além das complicações hemorrágicas, como a perfuração de úlcera e a obstrução da luz intestinal. A perfuração de úlcera quando ocorre dá frequentemente origem a uma dor abdominal intensa acompanhada por rigidez muscular abdominal, hipotensão e taquicardia (freqüência cardíaca aumentada, superior a 100 batimentos por minuto). A obstrução manifesta-se por náuseas, vômitos, dor e sensação de enfartamento abdominal e anorexia (diminuição do apetite).